Moldar ohorizonteda arquitetura

Tecnologia, inovação e inteligência artificial ao serviço do projeto

Manifesto

A arquitetura está a mudar mais depressa do que em qualquer momento dos últimos cinquenta anos. Não por moda — por lei, por clima e por capacidade de cálculo.

As decisões que antes se tomavam por experiência acumulada tomam-se hoje com simulação. O desempenho energético de um edifício deixou de ser uma verificação no fim do processo para passar a ser uma condição do desenho inicial. O modelo tridimensional deixou de ser uma representação do projeto para passar a ser o próprio projeto.

Nada disto substitui o julgamento de quem projeta. A ferramenta não decide onde entra a luz, nem porque é que uma escada deve estar naquele sítio e não noutro. O que a tecnologia faz é retirar do caminho o trabalho que nunca deveria ter consumido o tempo de um arquiteto — e devolver esse tempo ao que só um arquiteto pode fazer.

É por isso que olhamos para o que aí vem sem ansiedade. As datas já estão marcadas. O trabalho é chegar lá antes delas.

Contexto

O que os números dizem

Cinco indicadores que explicam porque é que a transformação do setor não é uma opção editorial.

40%

do consumo energético da União Europeia é atribuível aos edifícios. As emissões de gases com efeito de estufa do parque edificado representam 36% do total.

Comissão Europeia · 2024

10–20%

é a poupança estimada em despesas de capital quando os processos de arquitetura, engenharia e construção são digitalizados.

Manual BIM para o Setor Público Europeu, citado na Resolução do Conselho de Ministros n.º 89/2026 · 2026

74%

dos gabinetes de arquitetura já usam inteligência artificial em projeto, contra 59% no ano anterior e 41% em 2024.

RIBA Artificial Intelligence Report · 2026

6 anos

é o período de implementação da PortugalBIM, a estratégia nacional que prevê formar 3000 profissionais do setor e integrar a metodologia em 50 municípios por ano.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 89/2026 · 2026

17%

é a percentagem de arquitetos que considera que os seus projetos ficaram melhores por causa da IA. A adoção é quase universal; o ganho de qualidade não é.

RIBA Artificial Intelligence Report · 2026

Calendário

As datas já estão marcadas

O quadro regulatório europeu e português define com precisão o que passa a ser obrigatório e quando. Projetar hoje sem contar com estas datas é entregar ao cliente um edifício que nasce desatualizado.

29 mai 2026

Prazo de transposição da EPBD IV

Portugal tem de transpor para direito interno a diretiva do desempenho energético dos edifícios, com revisão do sistema de certificação energética e introdução do Passaporte de Renovação.

Diretiva (UE) 2024/1275

1 jan 2028

Edifícios públicos com emissões nulas

Todos os novos edifícios detidos por organismos públicos passam a ter de cumprir o conceito de Zero Emission Building.

Diretiva (UE) 2024/1275

2028

Avaliação de ciclo de vida obrigatória

O cálculo do potencial de aquecimento global ao longo do ciclo de vida passa a ser exigido para edifícios novos com mais de 1 000 m², alargando-se a todos os edifícios novos em 2030.

Diretiva (UE) 2024/1275

1 jan 2030

BIM obrigatório em projeto de arquitetura

Os projetos de arquitetura previstos no regime jurídico da urbanização e da edificação passam a ser modelados segundo a metodologia BIM. Deixa de ser uma vantagem competitiva para passar a ser condição de licenciamento.

Decreto-Lei n.º 10/2024, artigo 17.º (Simplex Urbanístico)

1 jan 2030

Todos os novos edifícios com emissões nulas

A obrigação de Zero Emission Building estende-se a toda a construção nova. No parque residencial, o consumo de energia primária tem de descer pelo menos 16% face à linha de base.

Diretiva (UE) 2024/1275

2035

Redução de 20 a 22% no parque residencial

Segunda meta intermédia de redução do consumo de energia primária nos edifícios de habitação.

Diretiva (UE) 2024/1275

2050

Parque edificado neutro

A obrigação de emissões nulas alarga-se a todo o parque edificado europeu existente, e não apenas à construção nova.

Diretiva (UE) 2024/1275

Tecnologia

Ferramentas que mudam o resultado, não só o método

A tecnologia entra onde melhora a decisão de projeto e a comunicação com o cliente — não como argumento de marketing.

01

BIM — Building Information Modelling

Modelação tridimensional integrada, deteção antecipada de conflitos e coordenação de especialidades em tempo real, antes de chegarem à obra.

02

Visualização

Renderização fotorrealista e visualização imersiva para que o cliente compreenda o projeto antes de existir.

03

Realidade aumentada e virtual

Percorrer o edifício em escala real na fase de projeto, quando as alterações ainda são baratas.

04

Colaboração em cloud

Gestão documental centralizada e acesso em tempo real para equipa, cliente e parceiros externos.

Inteligência artificial

Quatro frentes, um critério

A pergunta não é onde a inteligência artificial pode ser usada — é onde é que o seu uso melhora efetivamente o projeto ou liberta tempo para quem o desenha. Fora disso, é ruído.

Processo

Gestão interna e documental

O trabalho administrativo de um gabinete de arquitetura consome tempo que não produz projeto. É a primeira frente onde a automatização compensa, porque o erro tem custo baixo e o ganho é imediato.

  • Classificação e indexação automática de arquivo de projeto
  • Extração de dados de peças escritas e mapas de quantidades
  • Redação assistida de correspondência técnica e relatórios de obra

Cliente

Comunicação e acompanhamento

O cliente de arquitetura vive habitualmente com informação a menos entre reuniões. A tecnologia permite encurtar esse silêncio sem aumentar a carga sobre a equipa.

  • Resposta rápida a questões correntes sobre o estado do processo
  • Sínteses periódicas de progresso geradas a partir do registo do projeto
  • Portal de acompanhamento com acesso a peças e cronograma

Produção

Apoio à decisão de projeto

É aqui que a IA é mais promissora e mais sobrevalorizada. Serve para alargar o campo de hipóteses em fase conceptual e para testar desempenho antes de haver desenho definitivo — não para escolher.

  • Geração de variantes volumétricas em estudo prévio
  • Simulação de comportamento térmico e de iluminação natural
  • Otimização assistida de soluções estruturais e de vãos

Regulamentar

Leitura normativa

Um projeto em Portugal cruza plano diretor municipal, regulamento geral das edificações, regras de acessibilidade, segurança contra incêndio e requisitos energéticos. Ler tudo isto é lento e o custo de falhar uma disposição é alto.

  • Leitura assistida de PDM e regulamentos municipais
  • Verificação preliminar de conformidade em fase de estudo
  • Acompanhamento de alterações regulamentares aplicáveis a processos abertos

Limites

Onde não usamos

Uma posição sobre tecnologia que só enumera capacidades não é uma posição. Estas são as fronteiras que não atravessamos.

Na decisão de conceito

A ideia de um projeto responde a um lugar, a um programa e a uma pessoa. Nenhum modelo tem acesso a essas três coisas ao mesmo tempo.

Na assinatura técnica

Nenhuma peça sai deste gabinete sem verificação humana de quem a assina. A responsabilidade profissional não é delegável a uma ferramenta.

Na relação com o cliente

A automatização serve para responder mais depressa a questões correntes. As conversas que importam continuam a ser com pessoas.

Na representação do que não existe

Uma imagem gerada que promete ao cliente um edifício que o projeto não vai entregar é um problema de honestidade, não de tecnologia.

Em 2026, 74% dos gabinetes de arquitetura usavam inteligência artificial. Apenas 17% consideravam que os seus projetos tinham melhorado por causa dela. — RIBA Artificial Intelligence Report, 2026

Alinhamento

Onde já estamos

A transformação do setor tem enquadramento institucional concreto em Portugal e na Europa. Não trabalhamos à margem dele.

PortugalBIM

Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM · Resolução do Conselho de Ministros n.º 89/2026, coordenada pelo IMPIC

A adoção de BIM em projeto de arquitetura antecipa o prazo legal de 1 de janeiro de 2030.

EN ISO 19650

Série normativa europeia para gestão de informação em BIM · Comissão Técnica CT 197 do Instituto Português da Qualidade

É o referencial de organização e partilha de informação entre projetistas, donos de obra e empreiteiros.

IA nas PMEs — PRR

Linha de financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência · financiado pela União Europeia, NextGenerationEU

Enquadra o investimento do gabinete em capacitação e adoção de ferramentas de inteligência artificial.

Queres fazer parte deste horizonte?

Procuramos pessoas que queiram trabalhar com estas ferramentas sem perder de vista o que elas servem.